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Crónicas de um Planespotter

Fotografia Aeronáutica | Spotters | Foto-Reportagens | e mais umas coisas giras...

Crónicas de um Planespotter

Fotografia Aeronáutica | Spotters | Foto-Reportagens | e mais umas coisas giras...

Porta-Aviões USS Harry S. Truman (CVN-75)

Ostentando o nome do 33º presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman, o oitavo navio construído da Classe classe Nimitz*, este porta-aviões nuclear americano, chegou a Lisboa no passado sábado, dia 10 de Novembro. Veio à capital de Portugal, para quatro dias de descanso, depois de intensivos exercícios do Trident Juncture da Nato no Mar do Norte.

Ancorado entre Algés e a Trafaria, cedo, estes dois locais e não só, tornaram-se entre estes dias, locais de romarias, curiosos, spotters, ou como eu, entusiastas da aviação de guerra e tudo o que tenha a ver com a insignia militar/guerra.

Na segunda-feira tentei a minha sorte ao ir fotografar o dito, mas o nevoeiro era de tal ordem absoluto que, impossibilitou-me de fotografar o quer que fosse. Ainda esperei cerca de duas "longas" horas em frente ao mar, mas em vão. Como muitas das vesses, faço a conjuntura do desporto, (ciclismo) mais o spotting, segui a volta programada até ao Parque das Nações, sempre pela zona ribeirinha da cidade. Pelo meio dia, o nevoerio era ainda intenso, pelo menos junto à linha de costa. Não baixei os braços, e pela frente tinha ainda dois dias para fotografar o dito, ou pelo menos ter a fé, (que os spotters tão bem a sabem ter), e acordei comigo próprio, que, no dia seguinte, terça-feira, e sabendo em antemão, que o tempo iria estar favorável pelo menos até quarta-feira, e que o nevoeiro matinal, tinha dado tréguas. Boas noticias para quem como eu, tinha ainda, zero registos deste monstro dos mares.

 

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Terça-feira 13 Novembro.

Terça-feira, dia 13 de Novembro de 2018, tinha em mente acordar bem cedo ainda de madrugada e voltar a fazer a mesma volta que tinha feito no dia anterior, mas o excesso de cansaço, aliado às noites mal dormidas devido às horas proibitivas da Carlota acordar a chorar para comer, tudo isso, levou a tomar a decisão de, e porque não, dormir a manhã na cama, descansar ou tentar esse feito, que agora é escasso, e ir perto do mar fotografar o porta-aviões?! Decisão mais que acertada, e nesse dia, dormi até perto da uma da tarde! Depois de um repasto e de uma manhã de um bom sono, (finalmente), liguei o pc e comecei a fazer o levantamento de possíveis locais, ou spots, (na nossa gíria spotter), para não ir em vão ou desculpem o meu calão escrito, à toa.. Bom, à toa, à toa, nunca iria, porque tal como escrevi mais acima, tento sempre conjugar o spotting ao desporto e levo a bicicleta comigo. Feito o trabalhinho de casa, fazer uma espécie de checkList ao material fotográfico, incluindo baterias e que lentes a levar, (também neste canto particular, não há muita escolha), mas faz-se o que se pode, com o que se tem, foi arrumar tudo direitinho na mochila, pegar em duas barrinhas energéticas, fazer um "review" rápido à bicicleta e "ala que se faz tarde". A tarde estava fenomenal, um calor apetecível para mês em que estamos, em suma, factores favoráveis para umas boas fotos, ou pelo menos tentar a esse feito... Nessa tarde, entre Caxias e a Marina de Oeiras, parei em vários pontos para obter registos... O navio estava longe, e com os curtissimos 200mm da objectiva, não há de facto, milagres como podem observar nas fotos. Como o objectivo, era depois regressar para Lisboa, voltei a parar em mais uns locais, já passagam das 17 horas e portanto o ocaso começava a fazer das suas, mas ainda assim, deu, e modéstia à parte, umas grandes fotos, fotos essas, que irão a seu tempo, para uma moldura ou mais, cá para casa.

 

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Quarta-feira 14 Novembro.

Neste dia, o último do USS Harry por território nacional, eu tinha que fazer o esforço de acordar cedo, e neste dia, o objectivo, era ir fotografar o dito, à Margem Sul do Tejo, na zona da Trafaria, junto aos conhecidos silos da Silopor. Um spot que já tinha em mente desde sábado, mas que foi cimentado pelo meu amigo e companheiro nestas lides fotográficas, Rui Guerreiro, não estava errado e e horas mais tardes, depois de chegar ao spot, viria a confimar que ambos, estávamos certos! Depois de vir de Massamá para Lisboa de comboio com bicicleta, (nesse dia e mais uma vez, devido ao cansaço), resolvi não ir de bicicleta em todo o trajecto, portanto, fui de comboio. Péssima ideia a minha, ir de comboio em plena hora de ponta, com uma bicicleta roda 29, só pode ser muito parvo... O comboio a cada estação que chegava eram pessoas a entrar, e o espaço a ficar cada vez mais curto, conseguia facilmente perceber, o olhar das pessoas para comigo, de pouca satisfação, em estar ali um "tractor", ali, num local onde poderia estar mais uns quantos passageiros, mas eu não tenho culpa, e a CP, graças a Deus, numa das suas poucas, (mas grande ideia), lá concedeu autorização, para que este meio de transporte a pedal, pudesse ser transportado a qualquer hora do dia, (antigamente, não o era)...

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Adiante... E depois de toda a panóplia envolvida e esforço físico em sair e entrar nos comboios, em subir e descer gares, finalmente, chego a Alcântara-Terra e me ponho ao pedal, para ainda tentar apanhar o ferry-boat na estação fluvial de Belém. Cheguei a horas, mas ao tirar bilhete, sou visado pelo vigilante, colega de profissão, (um grande abraço para ele), que há problemas com o navio desde as oito e pouco da manhã e que estavam à espera de outra embarcação para repôr o serviço... Penso para comigo um grande, "Foda-**", e começo a pensar que aquele avistamento de mais perto e umas fotos ao porta-aviões, era para esquecer. Afinal de contas, partia hoje, pela uma da tarde.

Num compasso de espera, sou informado novamente pelo colega, que um outro navio, o São Jorge, viria substituir o moderno, mas cansado, Lisbonense, e que portanto, poderia então adquirir bilhete para seguir até à outra margem... Com tudo isto, há uma nota positiva que tenho que referenciar, era a minha estreia na velhinha, mas "afinadinha" embarcação. Por momentos, senti-me como se fosse um recruta a fuzileiro a caminho da base naval do Alfeite. Embarquei, enconstei a bicicleta a um dos bancos, abri a janela e foi saborear uma conjuntura de odores, a mar, e a combustível do navio. Fantástico, e não, não estou a ser irónico!

Pouco passava das 09h40 da manhã, e já estava em terra firma, nesta vila piscatória que é a Trafaria. Antes de seguir para o spot e questão, faço uma breve paragem para relaxar um pouco, sentando-me na esplanada do café da esquina, muito perto do terminal fluvial, para degustar, aquele que viria a ser o primeiro café do dia. Saboreando o café, sim, eu gosto mesmo de café, e olhem que o café é como o tabaco, não é de todo, todo igual, e eu não sou fumador, mas é o que dizem, e como referia, depois do cafézinho e de me despedir amavelmente dos clientes que prevejo que são clientes assíduos, e um bom dia dito por estas pessoas, é tão grato, tão bom, e olhem que estamos a poucos minutos de Lisboa, porque em Lisboa, já não é actual dizer-se um bom dia, e se o dizes, passas por parvo, mas adiante, que esta parte foi só um mero desabafo, de uma pessoa simpática...

 

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Olho para o relógio e são dez da manhã em ponto, sabendo atempadamente que a próxima partida para regressar a Belém, seria pelas onze horas e que por algum jeito, convinha apanhar o desse horário. Segui até ao spot dos silos da Silopor, e de facto, era um grande spot, eis-o, ali mesmo à minha frente, imponente, meio de lado, céu azul, sol a favor, ingredientes mais que sólidos para fazer um bom registo. Contudo, não viria a ficar ali muito tempo sozinho, e passado uns minutos, embora estivesse ficado desconfiado na altura, (afinal de contas o local é meio isolado, e a zona envolvente não é muito famosa, mas isso é conversa para outra altura), vejo aproximar-se um carro... E depois outro, mas afinal de contas, eram spotters, também eles meus amigos, e companheiros de tantas e tantas tardes a fotografar aviões. Deixo aqui uma nota de agradecimento ao amigo Artur Martins, pela amabilidade de emprestar a sua objectiva com mais uns pózinhos de mms para que fosse possível de um certo modo, conseguir uns registos mais de perto. Um grande abraço, amigo!

 

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E foi isto, ao longo de três dias, foi esta correria para fotografar e ver de perto pela primeira vez, um navio porta-aviões nuclear Norte-Americano.

As fotos foram as possíveis e partilho convosco as mesmas...

*A classe Nimitz é constituída por dez super porta-aviões, movidos por energia nuclear, ao serviço da Marinha dos Estados Unidos. Com um deslocamento aproximado de cem mil toneladas, são os maiores navios de guerra da atualidade. O uso da energia nuclear proporciona uma autonomia ilimitada, entre reabastecimentos a cada 20 a 25 anos de vida útil operacional, permite ainda pela libertação de espaço outrora utilizado pelo combustível de origem fóssil usado na propulsão do navio, uma maior e melhor organização e gestão do armazenamento de outros consumíveis, como combustível para aviação e ou munições, espaçando assim a necessidade deste tipo de suprimentos.

Fonte: Wikipédia

Bruno Belém, 16 de Novembro 2018.